Ontem fui surpreendido com uma mensagem eletrônica solicitando meu endereço para correspondências, enviada por uma amiga que de há muito não vejo, especialmente para fazer chegar a mim o seu convite de casamento, que acontecerá em setembro próximo. Fiquei feliz pela lembrança, abri o site que o casal pôs no ar para confirmação de presença, lista de presentes, etc. e lá deixei uma mensagenzinha simpática, dessas que apesar de sinceras não deixam de ser piegas, tipo desejando antecipadamente que Deus os faça felizes. Realmente desejo que sejam felizes.
Hoje telefonei para essa amiga, conforme o pedido contido em sua mensagem e, após uma rápida conversa, dois detalhes me fizeram pensar o quanto meus amigos antigos, aqueles que se juntaram a mim antes das escolhas mais ousadas que fiz (e olhem que eles nem têm ideia do que ainda está por vir), e que nem foram tão trashs assim, me devem achar completamente maluco, considerando-se que sou um sujeito formado em direito aos 22 anos, em uma escola tradicional (para não ser completamente elistista e lembrar que alterna com outra faculdade o status de a melhor do Brasil), cujo primeiro emprego foi na Bolsa de Valores de São Paulo, ou seja, um yuppie típico dos anos 80/90, que acabou advogando em uma usina de açúcar cravada num rincão distante 600 km da capital, mal remunerado e fora da zona do topo da carreira escolhida. O primeiro é ter de perguntar para onde mandar uma correspondência, o que significa que na ideia deles eu moro fora do planeta e, logo em seguida, ainda no início do interlocutório telefônico, questionar calmamante: - " Você sossegou?", em uma clara alusão ao fato de eles nunca saberem ao certo onde estou, se trabalho em São Paulo, Minas ou em Goiás ou onde moro no momento. Esse o segundo detalhe.
Antes que eu mesmo acredite, e isso não é muito difícil de acontecer, que realmente pirei, diante das tendências de vida que mostrava no passado e as probabilidades que se apresentavam até então, preciso registrar duas polaridades que se relacionam nessa dinâmica maniqueísta entre meus amigos quadradinhos, muito queridos, diga-se de passagem, e eu: nem eu fui muito ousado e eles é que sempre foram excessivamente caretas.
Fico me perguntando se um dia realmente vou sossegar. E confesso que não faço isso sem uma sensação de leve desconforto, inclusive por imaginar o quanto meu desassossego deve ser objeto de comentários de quem me quer bem mas, de fato, não me entende.
A questão, entretanto, me parece demasiado simples para justificar os movimentos que fiz rumo ao encontro das possibilidades de mudanças em relação ao que me era pasteurizadamente proposto, e não fui o único, muitos o fazem: tenho perguntas sobre onde levar minha própria vida e, por mais incrível que possa parecer, existem pessoas que não as tem, ou não as conseguem ver. Reconheço que nem sempre as perguntas que assolam minha alma são claras. Na maiorias daz vezes elas não têm formulação e aparecem sob os disfarces da incoformidade diante das injustiças, pequenas ou grandes, da indignação frente à crueldade com que são tratadas as diferenças entre os homens, do desconforto face à excessiva petrificação do processo educacional de nossas crianças, do escárnio com que são tratados pelos poderes públicos os dramas do nosso povo realmente tão sofrido, desculpando-me pelo jargão, mas é preciso usá-lo agora, do repúdio que me causam o egoísmo e egocentrismo exacerbados das pessoas em processos de construção de instituições sociais, do desespero para tentar entender, e sobretudo encontrar uma forma de viver concretamente, a relação que deve existir entre o homem e os mundos suprasensíveis, dentre tantas outras sensações pelas quais tenho passado ao longo desse meu caminho.
Realmente não posso ter sossego.
Confesso que a falta de clareza diante das minhas perguntas me tem levado a movimentos incertos, trôpegos, cambaleantes às vezes. Assim como reconheço que não me é gracioso ouvir a questão da minha amiga candidata ao casamento, a uma porque todos devem sossegar, eu acho, uma hora ou outra para que vivam em paz, ao menos, e depois porque tenho a sensação que ainda me falta a certeza dos movimentos que fiz, no sentido de que acertei (se é que um dia terei essa certeza) e, finalmente, porque ainda me importo com as críticas que se me apresentam.
Por aqui vou terminando, um tanto aliviado pois um pouco mais avancei no entendimento de mim mesmo, sobretudo porque, e somente no momento em que escrevo esta linha soube disso, ainda que nebulosas, foram as perguntas as responsáveis pelas prioridades que elegi, e delas não me arrependo, mas angustiado, ao mesmo tempo, especialmente por ainda não saber onde esse desassossego me levará. Oxalá seja a um lugar gentil.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
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Ivan, por favor: NÃO SOSSEGUE! Estou ficando tão curiosa quanto você com relação ao que ainda está por vir!
ResponderExcluiroiii papinho...
ResponderExcluirque bom que vc ta chegando
eu to morrendo de saudades..
um caminhão de beijos pra vc...
da sua filhinha ligia
kisses