Ventania
Salvem as cartas, antigas missivas e modernos e.mails e, mais ainda, salvem os blogs e outras ferramentas eletrônicas, que aqui não nomeei porque não as conheço, confesso, pois nos permitem trazer do passado as psicoses em geral, básicas neuroses e refinadas esquizofrenias, bem como outras fraquezas e forças humanas, que cito pela força da generalidade que tais substantivos (ou serão adjetivos) carregam, por agora tão esquecidas ou escondidas, quando cada vez mais se desusa a linguagem, antigamente materializada pelo simples ato de escrever, para comunicar ao outro o que vai por dentro de nós mesmos.
Acabei de ler os posts do blog Das Ventanias e me senti aliviado! Eu que me julgava um ser do passado, “geração ponte”, parafraseando a minha querida Cora Coralina, ponte entre a máquina de escrever, elétrica já, onde bati (naquele tempo batia-se à máquina) as primeiras bobagens que escrevi, e copiei, admirado, os geniais Mário Quintana e Lygia Fagundes Telles, descobertos em plena adolescência e imediatamente reconhecidos como espelhos, origens, ou qualquer coisa assim, e os modernos processadores de textos acessáveis em velozes PC’s, laptops e outras máquinas atualmente indispensáveis mas que podem se tornar, dependendo da dimensão que se dá à sua capacidade de substituir eficazmente qualquer coisa originalmente elaborada por nós mesmos, perigosas.
Eu que sou um ser em permanente crise, existencial, financeira, emocional, filosófico-religiosa, filosófico-social, filosófico-qualquer outra coisa, filosófica pura e simples, familiar e profissional, e se existirem outras classificações, e certamente existem, também estou nelas, expirei finalmente, depois de um bom tanto de anos, ao perceber que outras pessoas também sentem.
Não sem medo de ser mal interpretado, quero dizer: viva a astralidade, palavra às vezes tão temida em certos mundinhos, e que assim os chamo não pejorativamente, diga-se logo, antes que eu seja rechaçado, mas sim, digamos, carinhosamente, que nos faz correr interiormente de uma sensação à outra, de diferentes cores, em questão de segundos, nos leva do perder o ar de desejo à mais completa indiferença em uma única frase, assim como uma folha é castigada, sem dores, quando é atirada de um lado a outro pelo vento! Pessoas e folhas se movimentam, aquelas no universo às vezes confuso, caótico quase sempre, brilhante quando se presta atenção, de si mesmos, estas no espaço de uma simples calçada de qualquer dos bairros da minha querida cidade, Sampa.
Agora que descobri os blogs não os deixo nunca mais! É lá, então, que moram as pessoas que não escondem sua astralidade, seus humanos complexos de sentidos, sensações e sentimentos, como no passado moravam nas cartas aos mais caros amigos, onde se confessava aquilo que nem mesmo a nós admitíamos, nos cartões postais enviados aos irmãos ou primos no meio de uma viagem incrível, apenas para dizer que se tinha saudade, nos cartões de natal destinados aquele amigo do amigo com o qual conversamos somente uma vez na mesa de um bar.
Escrever cartas, ou posts, deitando nelas o que vai em si, como ato generoso de dividir-se é hábito, infelizmente, cada vez menos recorrente na pseudo-modernidade de nossos dias, quando a maioria das instituições nos ensinam que o melhor, ou o fundamental, ou a única coisa que importa é ter sucesso, e só ter sucesso, social, profissional e financeiramente falando, ao melhor estilo Estados Unidos da América do Norte (nada contra os norte-americanos, nem contra aqueles que alcançam conforto material, ok?) e não a ser somente aquilo que escolhemos, seja antes de fechar os olhos ante a primeira luz neste mundo, ou depois disso, o que equivale a dizer que vivemos, ou poderemos viver, caso descuidemos, uma era de superficialidade epidêmica, tanto nas relações entre as pessoas, quanto, o que é mais triste, nas relações conosco mesmos, pois nem sempre esse tal sucesso depende de profundo conhecimento sobre o que vai dentro de cada um de nós, certamente ao contrário de quando nossa escolha for trilhar nosso verdadeiro e essencial caminho de vida, já que sem saber o que somos visceralmente não há como chegar a lugar algum.
Note-se que negar a própria astralidade, ou escondê-la, de si ou do mundo, é partir no rumo oposto ao do auto-conhecimento, e não importa a má aplicação ideológica que nos leve a isso, seja para corresponder a conceitos pré-estabelecidos de equilíbrio espiritual, ou emocional, seja por mergulhar de cabeça nessa proposta neoliberal de sucesso como único gol a se alcançar na vida: os malefícios serão os mesmos.
Penso que não se pode alcançar a serenidade interior sem que conheçamos o caos que nos habita. Penso que é muito mais difícil permear de calma a profusão quando nos escondemos de todos, e de nós mesmos. Para nos mostrarmos, aos outros ou a nós mesmos, é preciso antes observarmo-nos objetivamente e deixar que nossos conteúdos ressoem. Quer queiramos ou não, escancarada ou veladamente, esse ressoar será ouvido, neste ou em outros mundos, com ou sem palavras, pelos nossos gritos ou nossas estórias. Algo que fala e é ouvido constrói ou destrói. Tanto melhor se tivermos consciência disso.
terça-feira, 21 de julho de 2009
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oi papi aqui esTA A LETRA...
ResponderExcluirDo you hear me
talking to you
Across the water
Across the deep blue ocean
Under the open sky
Oh my, baby I'm trying
Boy I hear you in my dreams
I feel your whisper across the sea
I keep you with me in my heart
You make it easier when life gets hard
Lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again
Ohhhohhhohhhohhohhohhhohh
They don't know how long it takes
Waiting for a love like this
Every time we say goodbye
I wish we had one more kiss
I'll wait for you, I promise you I will
Lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again
Lucky we're in love in every way
Lucky to have stayed where we have stayed
Lucky to be coming home someday
And so I'm sailing through the sea
To an island where we'll meet
You'll hear the music fill the air
I'll put a flower in your hair
Though the breezes through the trees
Move so pretty, you're all I see
As the world keeps spinning round
You hold me right here right now
Lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again
Lucky we're in love in every way
Lucky to have stayed where we have stayed
Lucky to be coming home someday
Ohhhohhhohhhohhohhohhhohh
Ohhhohhhohhhohhohhohhhohhohhohhohh